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Intervenção – Grandes Opções do Plano e Orçamento Municipal para 2017

O PSD irá votar contra as Grandes Opções do Plano e o Orçamento do Município de Tomar para 2017, apresentados pela coligação PS/CDU.

Para explicar o porquê deste voto, começo por falar de uma área que tenho defendido desde o início: a Juventude.

Não foi por acaso que o Conselho Municipal de Juventude se manifestou contra este Orçamento Municipal.

Sim, é mesmo verdade.

Pela primeira vez, o Conselho Municipal de Juventude pronunciou-se contra um orçamento do Município.

E são várias as razões para isso ter acontecido.

Para quem nesta assembleia tanto falava do Conselho Municipal de Juventude, o Partido Socialista demonstra hoje uma total desconsideração pelo órgão!

O Conselho Municipal de Juventude é encarado como um incómodo.

Se calhar por isso reúne tão poucas vezes, menos até do que o previsto no regulamento!

Ainda me recordo quando o Conselho Municipal de Juventude reunia duas vezes a propósito do Orçamento.

A primeira para escutar os contributos dos jovens e a segunda para aí sim obter o seu parecer.

Isso sim era ouvir a Juventude!

Hoje não é assim, não querem escutar os jovens. Apresentam-nos apenas o documento depois de fechado.

Basta ver a trapalhada que foi a marcação desta última sessão, que nem respeitou a antecedência regulamentada de 5 dias!

Incompetência ou é de propósito para não dar tempo aos jovens de se prepararem?

É também curioso verificar que em todo o documento, à exceção dos contributos do Partido Social Democrata, encontramos apenas uma referência à juventude, na introdução, dizendo:

“(…) adversidades ao desenvolvimento económico, pela falta de emprego qualificado e consequente perda de população jovem (…)”.

Não mais voltamos a ouvir falar em juventude em todo o documento.

Uma clara demonstração do desprezo da governação municipal pela juventude tomarense.

Para além do Orçamento Participativo Jovem, não encontramos nenhuma novidade em investimentos para a Juventude.

Tendo em conta as oportunidades do novo quadro comunitário Portugal 2020, estamos perante um completo desperdício que em nada contribui para melhorar o cenário referido na introdução.

Orçamento Participativo Jovem que demonstra também a falta de atenção para com a Juventude.

Apesar de ser apresentado publicamente com um valor de 10 mil euros, nas Grandes Opções do Plano encontramos uma rubrica com metade desse valor.

O único projeto de juventude neste orçamento não mereceu mais que um copy paste do orçamento anterior que correu mal!

E como se não bastasse, no início da reunião do Conselho Municipal de Juventude o Vice- Presidente apresenta-nos com pompa e circunstância o valor do investimento exclusivo na Juventude: 25 mil euros.

25 mil euros mais não é do que 0,07% do orçamento Municipal.

Quer isto dizer que um quarto dos tomarenses, os jovens, vêem ser- lhes atribuído pouco mais que meia décima do orçamento municipal!

É ou não é justificado o parecer negativo do Conselho Municipal de Juventude?

Caros colegas da Assembleia da Municipal, um orçamento que não serve à Juventude, é um orçamento que não serve a Tomar!

Mas olhemos para além da Juventude.

No momento em que apresentam o quarto e último orçamento desta geringonça de esquerda local, é justo perguntarmo-nos:

A mudança valeu a pena? Tomar está melhor?

Não é isso que vejo neste documento.

Quando analiso um orçamento municipal, antes de olhar para os números, gosto de tentar perceber a motivação, a estratégia e a ambição do documento.

Bem procurei, mas em 96 páginas ambição e estratégia foi coisa que não encontrei!

Mas vamos diretos ao assunto e perceber porque razão este orçamento deve merecer o chumbo desta Assembleia.

Ano após ano, continuamos a ver um orçamento começado pelo fim. Em primeiro lugar vem a despesa que querem fazer, e depois vão procurar as receitas para as cobrir.

 

Ao analisar o orçamento da receita, rapidamente nos apercebemos que em apenas 4 rubricas de “outras” e “diversas” temos 10 milhões de euros.

Não tivesse este documento sido apresentado à última da hora e já pensava que tínhamos um terço das receitas sem sabermos de onde vêm.

Ainda assim, tenho dúvidas que estes 10 milhões de euros sejam realmente executados.

E depois não nos podemos admirar quando temos execuções orçamentais na casa dos 50%.

Aliás, não deixa de ser curioso dizerem no documento que se estão a aproximar do desígnio nacional de 85%, quando na informação escrita do 3o trimestre deste ano a receita tem ainda uma execução de 47% e a despesa de 38%.

Mas este não é um orçamento qualquer! É um orçamento de ano de eleições.

E não nos podemos esquecer que desde Janeiro que a Presidente do Município é também a candidata do PS às eleições de 2017.

Será este o orçamento que Tomar precisa ou é o orçamento que o Partido Socialista precisa para as eleições autárquicas?

Tomar precisa de ambição!

Se é verdade que até agora os Municípios ainda não tiveram acesso aos fundos comunitários do Portugal 2020, também é verdade que em 2017 teremos finalmente fundos disponíveis.

2017 é um ano de investimento, uma oportunidade para realizarmos obras estruturantes para o nosso concelho.

Mais uma vez esta governação das esquerdas desilude.

Basta compararmos com outros Municípios à nossa volta, no Médio Tejo.

Ourém aumenta o seu orçamento municipal para 2017 em 19%. Abrantes 22%. E Torres Novas 27%.

Todos estes aumentos dizem respeito a investimento, aproveitando o Quadro Comunitário Portugal 2020.

E Tomar? Tomar vai perder o barco.

Como se isso não bastasse, continuamos a ter uma governação que continua a atrasar-se no pagamento a fornecedores.

Entre janeiro e setembro deste ano, a Câmara Municipal de Tomar aumentou em 2 meses o prazo de pagamento aos fornecedores.

Passámos de 307 dias para 361 dias, praticamente um ano! São mais 2 meses que as empresas do nosso concelho têm que esperar para receber do Município.

Nem a Assembleia Municipal merece a consideração desta governação socialista e comunista.

As moções aprovadas nesta casa não têm consequência junto do Município.

Contributos válidos que todos nós temos dado ao longo destes anos e que continuam a não ser incluídos no orçamento.

Nem algo tão simples e ao mesmo tempo tão importante, como a Área de Serviço para Autocaravanas, foi contemplada. Uma proposta que a própria Federação Nacional de Autocaravanismo aplaudiu.

Qual é afinal a vossa ideia para Tomar?

Não é a juventude. Não é o rigor orçamental. Não é o investimento. Não é pagar a tempo e horas. Não é escutar os eleitos desta Assembleia.

Afinal qual é?

Este orçamento resume-se à falta de uma estratégia para o concelho, à falta de um projeto e de ambição para responder aos anseios e necessidades dos tomarenses, à falta de soluções para problemas como o desemprego, a fixação dos jovens e o envelhecimento da população.

Continua-se a desviar a atenção dos problemas estruturantes essenciais para o crescimento económico.

E sem crescimento económico, dificilmente teremos condições para mais apoio aos jovens, aos idosos, à cultura, ao desporto, à economia local e ao turismo.

Decididamente este orçamento não é o nosso. Esta política não é a nossa.
Nós faríamos as coisas de forma diferente.

O Orçamento do PS e da CDU para 2017 não serve o concelho, não serve os tomarenses.

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